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Os 5 erros mais comuns de empresas que querem ser inovadoras

Dedico esse texto para falar sobre os erros comuns cometidos pelas empresas ao iniciar
a busca pela inovação.

1) Pedir inovação sem estratégia – o primeiro passo de muitas empresas ao começar a
busca por inovação de forma intencional é colocar esse tema na agenda das reuniões
internas. A mensagem é: precisamos começar a inovar! Claro que esse é o primeiro passo
porém ele precisa vir conectado com a estratégia do negócio. Queremos nos tornar
inovadores em que? Esse direcionamento é importante para criar um foco comum para
todos os colaboradores. Também servirá para priorizar projetos e alocação de recursos.

2) Não definir a governança do processo – dizem que cachorro com vários donos morre
de fome. Com a inovação é a mesma coisa. Ser todo mundo é a mesma coisa que ser de
ninguém. É preciso definir a estrutura de governança das atividades, que responderá
pelos resultados e conduzirá as ações para fomentar a cultura interna. Isso não quer dizer
que os projetos devam ser conduzidos de forma centralizada mas sim que haja um grupo
ou uma área preocupado em não deixar o urgente sempre sobrepor o importante.

3) Pedir inovação, cobrar operação – lembro do tempo de escola que havia sempre
algum colega que fazia uma pergunta ao professor que todos estavam pensando: essa
matéria vai cair na prova? Se a resposta fosse negativa, ou seja, não cairia na prova,
quase que toda turma deixava de prestar a atenção e voltava seus pensamentos para o
recreio, a educação física, etc… Na empresa acontece algo semelhante. Se a inovação não
“cair na prova” dificilmente as pessoas vão entender isso como algo importante. Se a
diretoria e os gestores falam em inovação mas avaliam e cobram pela operação, é natural
que ela sobreponha a busca por novidades.

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Como as tecnologias vestíveis estão criando novas oportunidades

Tecnologias vestíveis são produtos que ficam vinculados ao corpo humano durante um período de tempo para coleta ou transmissão de dados. Eles precisam conter circuitos, conectividade wireless e capacidade de processamento.

O sucesso de produtos com essa filosofia requer a combinação de novas tecnologias, modelos de negócios viáveis e design atrativo ao consumidor.

Conectividade, processamento, sensores, bateria e interface são elementos normalmente disponíveis nas tecnologias vestíveis que demandam um conjunto de fornecedores e desenvolvedores para viabilizar novos produtos utilizando a tecnologia vestível.

Muito dos desenvolvimentos até o momento estão restritos a pulseiras e relógios inteligentes. Em cinco anos teremos a introdução de implantes que funcionarão vinculados ao corpo humano para gerar dados e monitorar funções vitais.

5 mercados principais que utilizam as tecnologias vestíveis já estão em desenvolvimento:

Fitness e Wellness – produtos desenvolvidos para monitorar atividade física e emoções.

Saúde e Médicos – produtos designados a monitorar sinais vitais e aumentar as habilidades do corpo humano.

Infotenimento – produtos que recebem e enviam dados destinados ao lazer ou melhorar o estilo de vida das pessoas.

Industrial – produtos que enviam ou recebem dados em tempo real no ambiente industrial.

Militar – produtos que enviam ou recebem dados em tempo real para fins militares.

Cada um desses mercados demanda um conjunto de funcionalidades para tornar os produtos atrativos ao mercado consumidor conforme apresentado na análise abaixo.

market

Abaixo as subcategorias de produtos em cada mercado atualmente existente:

categories

Fonte: Brilliant Noise – Wearable technology research report: devices and apparel

Atualmente, segundo a Fox Business, 61% do mercado de tecnologias vestíveis está concentrado em produtos voltados para o esporte e monitores de atividades. Quanto aos produtos comercializados ou em vias de entrar no mercado de massa, destaque para:

Pulseiras – Jawbone, Fitbit Flex, Nike Fuel Band, Misfit.
Relógios – Apple iWatch, Samsung Galaxy Gear, Sony Smartwatch, Moto 360, Pebble Smartwatch.
Óculos – Google Glass (já lançado e em breve será comercializado em escala).
Trackers – Adidas miCoach, Nike+, Under Armour 39.

Principais Tendências e Desenvolvimentos Futuros
Segundo o report The Future Of Wearable Tech, 5 principais tendências irão impactar o mercado de tecnologias vestíveis.

Fusão Bio e Tech – com a diminuição dos componentes, para os próximos anos é esperado que as tecnologias vestíveis sejam integradas com a pele e o corpo humano.

Estilo de Vida Sincronizado – as tecnologias vestíveis irão se integrar com outros equipamentos e sistemas, especialmente com o desenvolvimento da internet das coisas. Essa conexão irão automatizar atividades diárias e outras funções atualmente executadas manualmente.

Computação Orgânica – gestos e pensamentos serão integrados às tecnologias vestíveis proporcionando um nova gama de produtos e aplicações.

Aumento do Potencial Humano – nossa capacidade motora e cognitiva poderão ser ampliada com novas tecnologias assistidas para aumentar o potencial do ser humano. Poderemos executar atividades por um período maior de tempo ou com maior precisão com auxilio de sensores.

Empowerment da Saúde – a medicina preventiva irá se desenvolver e teremos a possibilidade de diagnósticos antecipados de doenças ou identificar situações em que nossa saúde esteja em risco.

Mercado crescerá 10 vezes em 3 anos
Atualmente o mercado de tecnologias vestíveis é da ordem de US$ 3 a 5 bilhões conforme estudo do Credit Suisse (The Next Big Thing – Wearables Are In Fashion). A tecnologia encontra-se em fase inicial de introdução com grande potencial de crescimento. Para os próximos 3 anos a expectativa é que o tamanho de mercado cresça 10 vezes.

Destaque para o crescimento do mercado do produtos voltados ao Infotenimento e às aplicações na saúde/médicos conforme projeção abaixo.

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As tecnologias vestíveis estão passando por uma fase de expansão exponencial. Certamente muitas oportunidades de negócios e novas empresas irão surgir com o desenvolvimento e popularização dos conhecimentos relacionados. Cabe a nós estarmos “conectados” para identificar essas oportunidades e transformá-las em valor para nossos negócios ou para a sociedade.

Felipe Scherer

Texto originalmente publicado no Blog Inovação na Prática da Revista Exame: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/inovacao-na-pratica/

Os livros de inovação que todo inovador deve ler

Semanas atrás estávamos conversando na Innoscience sobre o desafio de um de nossos clientes. Frequentemente recorremos a nossa biblioteca para consultar modelos, ferramentas e teorias para suportar nossas análises e prescrições. Da mesma forma que um médico faz quando precisa tratar de determinada situação de um de seus pacientes. A medida que buscávamos os livros começamos a discutir quais seriam os livros de inovação que todo inovador deveria ler. Optamos por definir os 10 livros que são leitura obrigatória para todo potencial inovador.

  1. O Dilema do Inovador. Clayton Christensen apresentou os conceitos de disruptive innovation e como as empresas bem gerenciadas, fazendo tudo que devem fazer para seguir sendo bem administradas podem sofrer rupturas de novos entrantes. Detalhando sua pesquisa no segmento de disk drives e no setor siderúrgico o autor mostrou que as inovações de ruptura são uma alternativa distinta que merece atenção das grandes empresas. A partir desse livro o autor escreveu sua sequencia, Innovator’s Solution, Innovator’s Prescription, Seeing What’s Next e Innovator’s DNA, todos imperdíveis.
  1. A Estratégia do Oceano Azul. W Chan Kim e Renee Mauborgne defendem a ideia de que a orientação concorrencial reduz a ênfase em inovação e que as empresas devem criar “oceanos azuis” que são novos espaços de mercado onde não existe concorrência. Apresentam uma série de ferramentas com destaque para a Curva de Estratégia, muito útil para comparar a proposta de valor de sua empresa com as demais alternativas disponíveis. Utilizam os cases do Cirque du Soleil e do Nintendo Wii para sustentar a tese. Um dos maiores blockbusters da história de livros de negócios.
  1. Beyond the Idea. Vijay Govindarajan e Chris Trimble enfocaram o outro lado da inovação, a transformação de ideias em resultado dentro de organizações estabelecidas. Os autores evidenciam que os desafios de estrutura, alocação de recursos e gestão de projetos inovadores são decisivos para executar a inovação. O modelo de classificação de projetos inovadores que apresentam é bastante útil para definir políticas de gestão.

indicador-potencial-inovador

  1. Business Model Generation. Alexander Osterwalder co-criou o livro inspirado em sua tese de doutorado na qual define, organiza e traduz o modelo de negócio. Apresenta o Canvas como uma ferramenta gráfica de elaboração, prototipação e testagem de novos modelos de negócio. O livro ganhou o mundo por meio de start ups e designers de negócio que viram na ferramenta uma forma clara e fácil de comunicar as principais escolhas estratégicas de um modelo de negócio.
  1. Open Innovation. Henry Chesbrough redefiniu a prática da inovação evidenciando que nem todas as oportunidades devem ser concretizadas internamente e que nem todas as ideias devem ser originadas na própria organização. A obra do autor abriu o caminho para considerar de forma sistemática stakeholders externos a empresa em seu processo de inovação e aumentar a eficiência das iniciativas inovadoras.
  1. Discovery Driven Growth. Os autores Rita Mc Grath e Ian MacMillan apresentaram o planejamento por descoberta, método de gestão de projetos inovadores que deu origem da ideia de lean start up e que trata as iniciativas inovadoras como projetos de incerteza que devem ser sistematicamente respondidas num roteiro de testes e experimentos denominado Discovery driven planning. Influenciaram de forma significativa o campo e deram origem a novas técnicas.
  1. Inovação Prioridade Número 1 – Peter Skarzynski e Rowan Gibson montaram o livro para ser um guia para o gestor que quer estruturar a inovação na empresa. Cada um dos 12 capítulos possui uma série de perguntas que precisam ser respondidas para configurar a inovação no contexto do negócio e coloca-la como prioridade número 1. Os deveres das lideranças são as ações que precisam ser colocadas em prática pelos inovadores e gestores da inovação.
  1. The First Mile – Nesse livro Scott Anthony aborda um tema muito relevante nos projetos de inovação: como superar os desafios iniciais em transformar uma ideia em realidade. A partir do modelo DEFT (em português: Documentar, Avaliar, Focar e Testar) tanto empresas já estabelecidas quanto startups podem seguir os passos e ferramentas sugeridas no livro. Ainda não tem tradução para o português mas apresenta uma abordagem a um tema importante para os inovadores.
  1. Disciplined Entrepreneurship. Bill Aulet do MIT com quem tive o prazer de estudar montou o melhor conjunto de ferramentas para desenvolvimento de novos negócios. Aplica-se tanto a startups como inovação corporativa. O autor oferece um passo a passo em 24 etapas que envolvem questões de mercado, finanças, modelo de negócio de forma clara e ilustrada. Depois desse livro os empreendedores e intra-empreendedores passaram a ter ferramentas para tornar o empreendedorismo mais previsível.
  2. Liderando a Revolução. Esse é um clássico do ano 2000 de Gary Hamel. A tese central está na importância da busca por inovações radicais por empresas de diferentes setores. É um livro que apresenta a lógica da inovação como estratégia e tem como objetivo sensibilizar o leitor de que as revoluções nos mercados podem ser feitas. Apesar de uma visão mais estratégica não deixa de apresentar dicas práticas de como fazer a “revolução”.

A inovação tem criado novas mídias e plataformas. Ebooks, audiobooks, podcasts e vídeos. Mas há conteúdos que não são perecíveis. Os 10 livros acima apresentados são lições duradouras, práticas e testadas para quem tem o desafio de inovar.

Até a próxima inovação.

Maximiliano Carlomagno e Felipe Scherer