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Nascemos inovadores?

Todas empresas querem inovar. Pelo menos, a maioria diz que quer. Bom, sendo essa uma prioridade estratégica, é necessário fazer com que as pessoas possam ser bons inovadores. Mas como formar melhores inovadores ou mesmo transformar a nós mesmos num inovador de primeira linha? Será que nascemos inovadores? Todos os inovadores são iguais? Os criativos são mais importantes para a inovação? Essas e outras perguntas tem dominado a nossa agenda nos últimos 10 anos assessorando empresas inovadoras. Continuar lendo Nascemos inovadores?

O DNA dos Inovadores e a transformação de uma ideia em resultado

the-innovators-dna-book-revA inovação não se resume a identificar potenciais oportunidades. Nem a propor novas ideias criativas. Os inovadores são aqueles que geram impacto. E impacto não origina-se não apenas em ideias mas em projetos executados.

O contexto das ideias inovadoras é bastante distinto dos projetos de dia a dia por uma característica fundamental: O alto nível de incerteza. Isso exige um método e habilidades diferentes daquelas pregadas para o contexto de iniciativas de melhorias incrementais. Mas qual é o DNA dos profissionais inovadores?

Para abordar esse desafio desenvolvemos a cadeia de valor da inovação. Um método que consiste em 4 fases. São elas: Idealização, conceituação, experimentação e implementação.

Conectamos a esse método o trabalho desenvolvido pelos experts e nossos parceiros Christensen, Dyer e Gregersen. Depois de entrevistar fundadores e CEOs de diversas empresas — entre elas Apple, Amazon, Google e Skype —, os autores identificaram o comportamento dos maiores inovadores do mundo e descobriram as cinco habilidades que diferenciam os inovadores dos profissionais comuns:

  1. ASSOCIAR
  2. QUESTIONAR
  3. OBSERVAR
  4. TRABALHAR EM REDE
  5. EXPERIMENTAR

Identificamos que as 5 habilidades classificadas no livro DNA do Inovador são relevantes em algumas das fases da cadeia de valor da inovação.

A capacidade de associação é fundamental na fase de idealização. Henry Ford teria desenvolvido a ideia da linha de montagem de carros que revolucionou a história do transporte a partir de experiências vivenciadas com a Campbell Soup e em abatedouros de gado. O Prof. Bob Sutton de Stanford com quem tive o prazer de compartilhar um curso de inovação lembra que a inovação também consiste em reaproveitar antigas ideias em novos contextos.

A habilidade de observar também é algo fundamental na idealização. É dessa observação que se originam novos insights para problemas existentes. A Tecnisa observou de forma organizada o uso que os condôminos fazem de suas garagens para prototipar uma nova proposta de garagem com mais serviço, informação e utilidade afinal como enfatizou Romeo Busarello, diretor de inovação da empresa, “muitos de nós passam mais vezes na garagem do que no hall de entrada de seus edifícios”.

Ninguém inova se não questiona o status quo. Gallileu questionou a sabedoria vigente para defender que a terra não era o centro do universo. Os criadores da Dafiti Malte Horeyseck, Malte Huffmann, Thibaud Lecuyer e Philipp Povel questionaram a visão de que calçados e roupas não eram produtos comercializáveis pela internet. Transformaram a empresa num dos principais cases de varejo online do Brasil. A habilidade de questionar é crítica também nas fases iniciais da cadeia de valor da inovação, notadamente na idealização.

Quando desenvolveu muitas das inovações constantes em seus últimos jatos, a Embraer se aproveitou de uma capacidade fundamental aos inovadores: trabalhar em rede. A empresa coloca seus colaboradores em contato com agentes externos para não apenas gerar novas ideias mas também para a segunda fase da cadeia de valor da inovação que trata da conceituação das ideias geradas.

Um dos maiores inovadores de todos os tempos, Thomas Alva Edison, que entre outras coisas desenvolveu a lâmpada elétrica, foi um expert em experimentar. A habilidade de prototipar, testar, experimentar é decisiva para reduzir a incerteza associada as ideias inovadoras. É a melhor forma de gerir riscos. Algo fundamental na fase de experimentação da cadeia de valor.

A inovação requer um método e um conjunto de habilidades. O estudo dos inovadores apresenta as principais habilidades e quando elas são mais relevantes na transformação de uma ideia em resultado. Compreender suas competências e desenvolve-las é o primeiro passo para reforçar sua eficiência como inovador.

Até a próxima inovação

Maximiliano Selistre Carlomagno

Qual o seu portifólio de competências para inovar?

slide01Criatividade e inovação são fenômenos complementares mas distintos. Inovar significa transformar novas ideias, criativas, em um novo processo, produto, serviço e modelo de negócio que gere resultado para o inovador.

O processo de inovação não se resume a criar. Envolve descobrir, testar e monetizar novas oportunidades. Quem opera esse processo são empreendedores e intra-empreendedores. Pessoas que aplicam um conjunto de competências em situações de negócios para alcançar seus objetivos independente de cargo ou função.

Nos últimos anos muitos trabalhos se predispuseram a analisar quais as competências dos inovadores. Estudamos o fenômeno do perfil dos inovadores sob diferentes aspectos. Identificamos diversas teorias sobre o tema. Grande parte listava um conjunto de atributos com maior aderência com criatividade do que com inovação. Se somássemos todas as competências dessas teorias teríamos um Super Homem. Um dos principais estudos foi consolidado no livro O DNA do Inovador dos professores Clayton Christensen de Harvard e seus colegas do Insead e Wharton.

Percebemos que a teoria sobre o tema ainda não estava madura. Sabíamos, por nossa experiência apoiando inovadores, que existem distintos papéis necessários para fazer uma nova ideia virar resultado. A inovação não é um processo individual mas uma interface social e organizacional.

Estruturamos nossa abordagem em função da cadeia de valor da inovação. Compreender a lógica de desenvolvimento das ideias inovadoras é fundamental para identificar quais trabalhos são feitos e que competências são demandas.

As competências que são importantes na fase de criação da ideia diferem daquelas necessárias para seu desenvolvimento e execução. A ideia evolui e as habilidades necessárias para sua execução também. Identificamos 7 competências que formam o mais essencial para quem precisa inovar.

IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES

Captação, interpretação e associação de informações a partir de problemas e tendências, e transformação em oportunidades.

  • Criatividade e imaginação
  • Associação
  • Questionamento
  • Observação

MOTIVAÇÃO PARA MUDANÇA

Receptividade, engajamento e mobilização de terceiros para mudanças no ambiente de trabalho.

  • Pro atividade
  • Engajamento
  • Mobilização
  • Abertura para novo
  • Motivação

COMPORTAMENTO COM RELAÇÃO A DESAFIOS

Persistência diante de dificuldades dos projetos. Controle emocional visando minimizar a ansiedade e a frustração inerentes à resolução de problemas.

  • Persistência
  • Confiança
  • Otimismo

ADAPTAÇÃO DURANTE OS PROJETOS

Flexibilidade, desenvolvimento e aceitação de novas soluções permitindo adaptações e ajustes nos projetos. Assertividade em negociações, bom senso e ponderação.

  • Flexibilidade
  • Abertura para sugestões
  • Saber ouvir
  • Humildade
  • Resiliência

TOLERÂNCIA ÀS INCERTEZAS

Gerenciamento de projetos com alto grau de risco e informações incompletas. Autocontrole emocional, saber lidar com a pressão situacional.

  • Confiança
  • Otimismo
  • Tolerância à ambiguidade
  • Experimentação

FOCO EM RESULTADOS

Execução de atividades com cumprimento de prazos e orçamento com atenção aos detalhes. Manutenção do foco, esforço e motivação para o alcance das metas. Estabelecimento de prioridades. Trabalho em equipe, empatia nas relações, eficácia na comunicação.

  • Objetividade
  • Execução
  • Concentração
  • Automotivação
  • Flexibilidade

GESTÃO DE PROJETOS

Análise, planejamento, implementação de projetos de maneira organizada. Mobilização de outras pessoas, identificando e utilizando os recursos individuais e coletivos dos mesmos. Capacidade de resolução de conflitos. Busca por recursos físicos e materiais necessários para o bom andamento do projeto.

  • Método
  • Organização
  • Análise
  • Relacionamento
  • Mobilização
  • Motivação
  • Liderança
  • Empatia

As 7 competências alinham-se com as quatro fases da cadeia de valor da inovação. Na Idealização as competências de Identificação de Oportunidades e Motivação para Mudança são as mais críticas. Na fase de Implementação, Foco em Resultados e Gestão de Projetos. Descobrimos que há pessoas que são naturalmente mais instrumentalizadas para uma ou outra fase da cadeia de valor em função de seu portifólio de competências. Conseguimos perceber a formação de um conjunto básico de quatro perfis.

  • Criadores: Questionam, associam, percebem sinais e tem condição de antecipar oportunidades e montar uma proposta inicial sobre determinado tema.
  • Refinadores: Tem dificuldade de partir do zero mas são muito bons em fazer as ideias evoluírem, perceber falhas, identificar riscos e complementar abordagens ainda brutas.
  • Experimentadores: Prototipadores, alta orientação para testar e colocar para funcionar um projeto piloto que possa indicar aprendizados e até novos caminhos para a ideia. São flexíveis e abertos a incorporar aprendizados nas ideias.
  • Executores: Focados em implementação. Facilidade de gerenciar pessoas, orçamento, cronograma e fazer as coisas acontecerem dentro ou fora de grandes empresas.

Essa nova proposição tem implicações significativas para profissionais e empresas no que tange a inovação, times, desenvolvimento de pessoas e gestão de projetos. A política do “quem deu a ideia tem que gerenciar o projeto até o fim” pode efetivamente não ser uma boa alternativa.

A formação de times de inovação deve considerar outros aspectos além de mesclar pessoas de diferentes áreas como marketing, finanças, engenharia, comercial ou outra qualquer.

A liderança dos projetos inovadores deve ser pensada sob novos enfoques. Outro aspecto importante, é o questionamento da noção de que apenas os criativos são relevantes para a inovação. Esse entendimento abre um novo espaço para que profissionais com as competências apresentadas contribuam com o processo de inovação.

Conhecer as competências das pessoas e times permite aloca-las onde rendem mais. Desenvolve-las e reforça-las permite melhorar desempenho.

A chance de transformar ideias criativas em resultado irá aumentar significativamente com o gerenciamento do portifolio de competências para inovar de nossos empreendedores.

Até a próxima inovação

Maximiliano Selistre Carlomagno

As Competências dos Inovadores

Será que nascemos inovadores ou essas competências podem ser desenvolvidas?

Por mais de oito anos de pesquisas e entrevistas com quase 1000 executivos e empreendedores de sucesso, Jeff Dyer, Hal Gregersen e Clayton M. Christensen chegaram a conclusão que existe um conjunto de características que distingue os profissionais inovadores. Para eles a habilidade de gerar novas ideias não é mera função da capacidade cerebral mas também fruto do desenvolvimento de comportamentos.

Para eles, o DNA dos Inovadores é complementado por competências de descoberta e execução. As 5 competências de descoberta cumprem um papel importante nas fases iniciais do processo de inovação, o que chamamos do “front end” do processo de inovação. Resumidamente elas são:

Questionar: fazer perguntas que desafiem o senso comum e as ortodoxias dos setores. Inovadores fazem mais perguntas. O que é isso? Por que é assim? E se fosse assim? Por que não fazer diferente? são perguntas comuns utilizadas pelos inovadores.
Observar: através da observação do comportamento dos consumidores, fornecedores, competidores e outros agentes, estabelecer novas formas de fazer as coisas. Buscar o job to be done que está por trás do comportamento dos consumidores.

Trabalhar em Rede: lidar com pessoas de diferentes gerações, formações, áreas de atuação que possam trazer novas ideias e perspectivas. Combinar suas ideias com outras pessoas de áreas distintas para aprender coisas novas.

Experimentar: construir experimentos para testar incertezas, hipóteses e fazer emergir rapidamente insights e aprendizados sobre as ideias inovadoras. Questionar, observar e trabalhar em rede fornece insights e dados sobre o passado e o presente. Experimentar permite coletar dados sobre o comportamento esperado no futuro.

Associar: trata de conectar as diferentes perspectivas, questões, problemas e ideias, gerando uma nova solução que ainda não havia sido proposta. Pensar nos problemas como um conjunto de peças que podem ser recombinadas e em novas configurações.

As competências de descoberta devem ser complementadas com as competências de execução. São as competências necessárias para transformar as novas ideias em realidade.

As 4 competências podem ser definidas como:

Analisar – capacidade de organizar e coletar dados concretos para tomar as decisões corretas.

Planejamento – está ligada com a capacidade de estabelecer planos, metas e um conjunto de atividades que precisam acontecer para o projeto inovador chegar ao objetivo esperado.

Orientação aos detalhes – garante que os pequenos detalhes aconteçam conforme planejado sem esquecer nenhum detalhe.

Auto disciplina – superam os obstáculos e mantém o cronograma definido para garantir os resultados dos projetos.

O vídeo abaixo traz um resumo das diferentes competências:

 

A prática constante dessas habilidades aumentam a capacidade de gerar novas ideias e executá-las. A Innoscience está trazendo para o Brasil com exclusividade o treinamento Innovator’s Accelerator que trabalha as 5 competências para despertar a inovação nas pessoas. Você pode acessar mais informações em: www.innoscience.com.br/ia ou pelo innoscience@innoscience.com.br

Felipe Ost Scherer