Como chegamos até aqui

Nos últimos anos minha preferência de leitura tem sido direcionada para biografias de empreendedores e, obviamente, de livros que tratam do tema inovação sob os diferentes aspectos da gestão e tecnologia.

Gosto das biografias, especialmente de empreendedores, porque elas trazem lições e inspiração de grandes personalidades que deixaram legados nos seus ramos de atuação. Para fazer a pesquisa para meu último livro (O Time dos Sonhos da Inovação), li pelo menos 25 diferentes biografias de empreendedores como Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Larry Page, Serguey Brin e Jeff Bezos. Biografias fazem a gente entender como grandes empreendedores foram moldados até chegar ao sucesso, desde sua formação como pessoas até as escolhas de negócios ao longo de suas carreiras.

Os livros de inovação são, ao mesmo tempo, trabalho e lazer. Meu trabalho como consultor, palestrante e professor de gestão da inovação requer que eu esteja atualizado com ferramentas, métodos e casos de empresas que estão fazendo sucesso. A administração é uma ciência social aplicada, portanto requer constante atualização dos métodos e ferramentas para que continuem trazendo resultados para aqueles que a utiliza. O modelo de gestão atual é o melhor até que surja outro que traga melhores resultados ou o cenário e contexto de aplicação do mesmo mude. Todos conhecem o caso da Kodak, Blockbuster e tantos outros. Dizem que o futebol é dinâmico, a administração também é!

Agora, quando uma obra junta os dois temas (biografias e inovação) é a receita certa para um bom livro. Recentemente li um desse tipo chamado Como chegamos até aqui: a história das inovações que fizeram a vida moderna possível. Já conhecia o autor, Steven Johnson, de outro ótimo livro: De onde vem as boas ideias. Esse último lançamento é uma aula de estratégia, história, inovação e empreendedorismo.

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De forma objetiva e articulada o autor traça a história da criação e evolução das principais inovações da história da humanidade. O livro está dividido em elementos básicos como o vidro, frio, som, higiene, tempo e luz. Cada um deles tem sua trajetória descrita desde as invenções mais básicas até nossos tempos atuais. Há conexões surpreendentes como o impacto da descoberta do dióxido de silício no desenvolvimento da física, química, astronomia e artes. Ou mesmo como conceitos básicos de higiene como tomar banho, em determinado período da história era visto como perigoso pois tiraria uma proteção que o nosso corpo teria em função dos poros estarem preenchidos por sujeiras e olhos.

O mais interessante nessas histórias todas é que sempre ouve alguém para questionar o porque do estado vigente das coisas e muitas vezes transformar essa inquietação em negócios prósperos. Existem muitos exemplos ao longo da história, como o empreendedor Frederic Tudor que morava em uma região americana em que os rios congelavam durante o inverno. Essa restrição impedia que se utilizasse as terras para cultivar as terras durante esse período. Tudor ao invés de chorar, escolheu vender lenços! Ele enxergou nessa dificuldade uma oportunidade de negócios que envolvia o comércio internacional de blocos de gelo para países tropicais. Antes de se tornar milionário, obviamente ele enfrentou inúmeras dificuldades para transportar, armazenar e educar os consumidores sobre tomar bebidas com cubos de gelo dentro. No final das contas ele acabou transformando hábitos e abrindo espaço para o desenvolvimento de máquinas de fazer gelo, que posteriormente serviram de inspiração para o ar-condicionado e geladeiras que hoje temos nas nossas casas.

Um conceito importante trazido por Johnson em todas essas inovações é o que ele chama de “efeito beija-flor”. As descobertas são fruto da construção coletiva de diferentes ideias a tecnologias que em algum momento se cruzam para formar algo novo. A invenção da máquina de impressão fez com que as pessoas se dessem conta de que enxergavam mal de perto, criando assim as lentes para óculos que posteriormente inspiraram a criação de lentes para microscópios e telescópios. Essas e muitas outras histórias são contadas de forma fácil de ser entendidas e com certeza vale muito a pena conhecer.

Por Felipe Scherer

Post originalmente publicado no Blog Inovação na Prática – Exame

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