3 Perguntas com o Inovador: Lucas Pinz

1) Quais são na sua opinião as 5 principais tecnologias que irão revolucionar como vivemos e fazemos negócios nos próximos 10 anos?

São muitas as novas tecnologias que revolucionarão a maneira como viveremos e faremos negócios na próxima década. O desafio é elencar apenas 5 principais.
O próprio uso do verbo revolucionar associado a tecnologia traz implícito profundas transformações que distanciam o uso atual da tecnologia ao do que será no futuro.
Tecnologias que revolucionam nos fazem recordar dos livros de história e nos remetem a meados do século XVIII, quando a então Revolução Industrial Inglesa vivia sua aurora. O egípcio-britânico Eric J. Hobsbawm afirma no seu livro Industry And Empire (1968), que a Revolução Industrial assinala a mais radical transformação da vida humana já registrada. De fato, os impactos sociais e econômicos trazidos e proporcionados pela industrialização foram sem precedentes e durante muitos anos a Inglaterra surfou a onda da prosperidade econômica trazida pela industrialização que iniciou em suas terras e que com o passar dos anos foi exportada para suas ex-colônias, principalmente EUA e Austrália, e para o restante da Europa, em especial Alemanha.
A Revolução Industrial resultou na mais profunda mudança na história da humanidade. Sua influencia atinge nossas vidas em pleno século XXI. Os últimos 250 anos de industrialização têm alterado nosso estilo de vida mais do que qualquer evento ou desenvolvimento nos 12.000 anos anteriores, afirma Vern Cleary em seu livro Modern World History: The Industrial Revolution. A maneira como vivemos, trabalhamos, vestimos, comemos, nos divertimos, somos educados, o quanto vivemos e quantos filhos temos.
Foi uma revolução amparada em avanços científicos que permitiram a fabricação de bens com alta velocidade e a capacidade de transportá-los para qualquer lugar. Nosso mundo moderno é inimaginável sem energia e em grande quantidade. No entanto, tudo começou com o vapor. Atingimos o atual estágio de evolução tecnológica através de uma serie de avanços e combinações científicas simultâneas. Sem que Celsius, Fahrenheit e Kelvin tivessem aprimorado as suas técnicas de medição da temperatura, o jovem engenheiro Sadi Carnot (1792-1832) não teria conseguido controlar a eficiência do motor a vapor.
Considero que vivemos hoje a Nova Revolução Industrial, alguns chamam de Revolução Industrial 4.0, outros a chamam de a Segunda Era das Máquinas.
Mas é fato que a Nova Revolução é alicerçada na Internet (assim como a do século XVIII foi na energia a vapor) e no uso crescente das tecnologias da informação e comunicação. Ela está apenas no começo e em uma década terá rompido os padrões que regulam subjetivamente nossa forma de interagir e gerar riquezas. A internet será o principal canal para a realização das transformações que a sociedade tanto precisa. Fonte de geração econômica e de redução de desigualdade, a internet permitirá que o aluno de uma escola pública no interior da Amazônia tenha acesso à mesma base de conhecimento que uma criança que estude no SoHo em Nova Iorque ou em Downtown Dubai. E não é só isso. Ela terá acesso aos mesmos professores.
A partir desse cenário, alguns avanços tecnológicos se consolidam amparados pelo alicerce da Internet e se mostram vitais para que a Segunda Era das Máquinas seja uma realidade. Elenco cinco deles a seguir:

1) INTERNET DE TODAS AS COISAS: A internet comercial essencialmente viveu 3 fases de evolução até agora. Na fase1, o que importava era a conectividade. Queríamos navegar na web e ver e-mails. Na fase2, surgiu o e-business que hoje movimenta bilhões de dólares na economia mundial. Novas formas de colaboração surgiram modificando a maneira como as empresas faziam negócios. Entramos há poucos anos na fase3 da internet, onde a experiência imersiva modificou a interação entre pessoas e entre empresas. É a era do Facebook, da mobilidade, da nuvem e da experiência intensiva de vídeo. Estamos agora iniciando a fase 4 da Internet. A Internet de todas as coisas. Pessoas, processos, dados e coisas estarão conectadas. As pessoas estarão conectadas de uma forma mais relevante e valiosa. A experiência de vídeo será intensiva. Entregaremos a exata informação para a pessoa correta (ou máquina correta), aumentando assim a produtividade dos negócios. Os dados serão organizados e tratamos de maneira que se tornem mais uteis a tomada de decisão. E por fim, as coisas e objetos estarão conectados criando a comunicação máquina-máquina. Um maravilhoso mundo novo onde o que estava desconectado, passará a ser visualizado na Internet. Independente do setor de atuação, cada empresa deve se tornar mais digital, mais conectadas. Uma fábrica, uma mina, um poço de petróleo, cada setor pode tirar proveito da Internet das Coisas digitalizando seus processos e dados, conectando seus usuários e equipamentos/coisas. Não tenha dúvidas. A Internet de Todas as Coisas transformará a indústria de TIC e também a maneira como vivemos. Ela trará à consciência o que antes estava inanimado. Até 2022, 50 bilhões de dispositivos estarão conectados à internet, gerando um mercado de 19 trilhões de dólares, segundo a Cisco. Isso é quase 8x todo o PIB brasileiro. O banco MorganStanley prevê uma oportunidade gigante, similar a onda da Internet móvel que movimenta de igual forma um mercado bilionário.

2) ROBÓTICA: presente no dia a dia das fábricas há muitas décadas, os robôs não são novidade na indústria. Mas avanços nessa área tem lançado luz sob um assunto que não é corretamente discutido. O futuro do trabalho! Máquinas limpando nossas casas, atendendo no caixa do banco, realizando cirurgias, atuando como advogados em um processo criminal. Segundo uma pesquisa do Gartner, até 2020 55% dos empregos que hoje são executados por pessoas, serão realizados por robôs ou máquinas inteligentes. A robótica revolucionará o trabalho e a sociedade/governos não podem se esquivar dessa discussão.

3) IMPRESSÃO 3D: um amigo, desses gênios raros que surgem, tem desenvolvido no Brasil próteses ortopédicas com certo nível de conectividade e inteligência artificial a partir de impressoras 3D e com isso ajudado crianças que sofreram algum tipo de amputação ou deficiência congênita. No MIT se trabalha com a impressão 3D de rins. Na China, casas são construídas em 2 dias com a ajuda de grandes impressoras. A Amazon já estuda a venda apenas de projetos para que você imprima o produto final em casa. De acordo com o IDC, o tamanho do mercado de impressão 3D será de aproximadamente US$16.2B em 2018 mas com um potencial bastante grande de revolucionar a manufatura.

4) SISTEMAS COGNITIVOS: no final de 2014 participei de um evento que dentre outras coisas demonstrava os avanços que o famoso super computador Watson da IBM estava alcançado. Em breve ele estará comercial, dizia um executivo da empresa. Projetado originalmente para responder perguntas de sim ou não, hoje o super computador é capaz de aprender com suas respostas e em breve estará apto a realizar diagnósticos médicos complexos, tomar decisões com milhares de variáveis mutáveis em micro segundos, etc. Uma aplicação interessante para o Watson já foi desenvolvida e lançada por uma startup. Trata-se de um app que permite com que o Watson converse com crianças e passe um diagnóstico para educadores e pais sobre eventuais problemas de aprendizado.

5) CONECTIVIDADE MÓVEL 5G: mal entramos na era do celular 4G, e a indústria já prepara para 2020 o lançamento massivo do 5G. Com velocidades móveis de conexão que alcançarão 1Gbps, as redes 5G serão fundamentais para viabilizar a Internet de Todas as Coisas pois serão escaláveis, versáteis e eficientes no uso da energia para um mundo hiper conectado.

2) Na sua avaliação qual o papel da tecnologia da informação na inovação corporativa em grandes empresas?

TI tem cada vez mais um papel fundamental e estratégico para as empresas. Toda empresa, não importa o ramo de atuação, será digital. O CDO (Chief Digital Officer) e o CIO ganham um papel decisivo no processo de inovação pois eles alimentarão a estrutura organizacional com informações sobre o potencial desruptivo que as tecnologias digitais exercerão sobre o negócio núcleo da empresa. As empresas que não tiverem um plano estratégico claro sobre o uso das tecnologias digitais e de informação estarão fadadas ao insucesso. Será através da tecnologia da informação que a inovação se dará nas empresas digitais.

3) Cite quais são na sua experiência como executivo as 3 principais barreiras para inovar em grandes empresas:

No livro Por que as Nações Fracassam, os escritores e professores Daron Acemoglu e James Robinson relembram a história do clérigo e inventor inglês William Lee (1550-1610). No final do século XVI, por volta de 1580, a Rainha Elizabeth I (1533-1603) havia emitido um decreto que “o seu povo deveria sempre usar um boné de tricô”. Tal decreto sobrecarregou ainda mais as já atarefadas tricoteiras, únicas capazes de produzir as peças do vestuário que atenderiam o decreto real. Observando a mãe e as irmãs tricotarem durante tanto tempo a fim de produzirem uma única peça, Lee teve um lampejo de criatividade. Se duas agulhas e uma linha de fio podiam confeccionar uma peça, quantas peças várias agulhas e linhas trabalhando simultaneamente poderiam produzir? Teve inicio ai a mecanização da indústria têxtil. Em 1589, Lee terminou sua invenção, uma máquina de tricotar meias. E ela era tão incrível que foi utilizada durante séculos e seus princípios de operação permanecem em uso em pleno século XXI. Motivado com seu invento, William Lee procurou a Rainha Elizabeth I para mostrar-lhe o invento e obter dela a patente necessária para a produção em escala da sua inovação. A produção de malhas teria um ganho extraordinário de produtividade. Mas para a surpresa de Lee, a rainha detestou a invenção e ainda o advertiu. Tratava-se de um “atrevimento” que poderia desempregar centenas de trabalhadores e gerar instabilidade política. A máquina de William Lee é tese central do livro dos professores do MIT e Harvard, Acemoglu e Robinson. A recusa à brilhante invenção de William Lee demonstra porque o mundo vivenciou pouca ou nenhuma melhoria nos padrões de vida desde a época neolítica até a industrial. “A inovação tecnológica contribui para a prosperidade das sociedades humanas, mas também implica a substituição do antigo pelo novo(…). Para que haja crescimento econômico sustentável são necessárias novas tecnologias e novas maneiras de fazer as coisas – que, em geral, virão de gente nova, como Lee”, afirmam os professores.
Superar fontes de resistências é chave para que inovações tenham condições de desempenhar seu papel transformador, renovador e impulsionador de novas perspectivas que desafiam o status quo. Para as empresas do séculos XXI, tais resistências ou barreiras se concentram no medo da perda do poder, na falta de ousadia e em arquiteturas organizacionais engessadas. Como diriam Daron Acemoglu e James Robinson, a elite quando vê seu poder político ameaçado se transforma na mais formidável barreira a inovação.

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