A cabeça nas nuvens e os pés no chão

Uma das bandas que mais gostava no final dos anos 80/início dos anos 90 era os Engenheiros do Hawaii. A partir do disco A Revolta dos Dândis de 1987 eles adotaram uma postura mais rock progressivo, emplacando diversos hits nas paradas brasileiras. Um dos clássicos da banda que muita gente deve lembrar é a música Infinita Highway. A letra cheia de filosofia existencialista traz também uma mensagem importante sobre empreendedorismo e inovação.

Recentemente quando entrevistado sobre o que se tratava a letra e significado da Infinita Highway, Humberto Gessinger disse que era uma metáfora à vida, que conduzimos a partir das escolhas e caminhos que optamos seguir. Penso que um dos dilemas que vivemos constantemente está em qual “highway” iremos seguir: a da inovação, tentando fazer algo diferente com significado ou se optamos em ligar o cruise control e deixar nosso carro no piloto automático.

Um dos trechos da música fala em ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão,  algo que entendo ser importante para todo aquele que busca inovar, seja em uma startup ou numa empresa consolidada. A cabeça nas nuvens significa sonhar grande enquanto os pés no chão remete a ter capacidade de mobilizar permanentemente os esforços de execução para aproximar cada dia a empresa desse sonho. O papel de um grande empreendedor ou liderança nas empresas é apontar o futuro, fazer com que ela mobilize recursos para torná-los realidade, ajustando o curso quando necessário.

Poucos empreendedores no mundo recusariam uma oferta de US$ 1 bilhão com apenas 22 anos. Menos ainda declinariam US$ 15 bilhões no ano seguinte. Quando da recusa da primeira oferta feita pelo Yahoo em 2006, Mark Zuckerberg disse que estava trabalhando para realizar algo em longo prazo e que todo o resto (alguns bilhões de dólares) era distração. Para ele o sucesso é uma maratona que demanda esforço contínuo para alcançar a linha de chegada e não uma corrida curta apenas para impressionar investidores.

Em 2004, Larry Page, um dos fundadores do Google, disse a seguinte frase em relação ao futuro das buscas na internet:

“Ela estará dentro do cérebro das pessoas. Quando você pensar em alguma coisa e não souber muito sobre isso, acessará automaticamente a informação… Em algum momento do futuro você terá um implante que lhe fornecerá a resposta para qualquer pergunta”

O desenvolvimento das tecnologias vestíveis em breve deverá viabilizar a visão de Page. Há 11 anos atrás poderia passar ficção cientifica ou loucura mas hoje o sonho está cada vez mais próximo de se tornar realidade. Claro que nesse meio tempo houve muito trabalho, acertos e erros. Outros tantos ainda virão.

É preciso sonhar, inventar o amanhã e apostar nas grandes inovações porém nada disso é suficiente se não tivermos a capacidade de manter os pés no chão para transformar o sonho em realidade.

Felipe O. Scherer

Texto originalmente publicado na coluna do autor no Portal StartSe Infomoney

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