Crise é hora de cortar investimentos em inovação?

O Rio Grande do Sul (RS), responsável por 12% da produção nacional de leite, enfrenta dificuldades desde o mês de outubro de 2014, quando foi deflagrada a operação Leite Compensado, que investiga casos de fraude envolvendo o produto no Estado. Com elevada oferta e reduzido consumo devido à crise de confiança, os valores pagos aos produtores no estado são de 10% a 40% menores do que a média paga nacionalmente.

Apesar da queda no consumo gerada pela crise de confiança e contrariando entre outras “máximas” anti inovação que diz que Crise é hora de cortar investimentos em inovação, uma iniciativa chama atenção por destoar do contexto: a associação entre pequenos produtores e uma cooperativa de Encantado, município localizado no Vale do Taquari, para investimento e desenvolvimento de um novo modelo de negócio para produção leite.

Baseado no investimento associado de pequenos produtores na estrutura e sistemas produtivos, sob supervisão da empresa, esta nova forma de produção de leite, denominada como Projeto Associativo de Produção Leiteira da Dália Alimentos, contará com 4 condomínios com ordenha totalmente automatizada. Localizados em Nova Brescia, Roca Sales e Arroio do Meio – no Vale do Taquari – e Candelária – no Vale do Rio Pardo – cada um dos condomínios contará com 3 conjuntos de robôs para ordenha, galpões, balança rodoviária, silos e residências para os funcionários, totalizando investimento médio de R$ 5 milhões.

Com capacidade de ordenha de 260 animais/dia o sistema robotizado adquirido, além de minimizar a necessidade de mão-de-obra (grande problema nas pequenas propriedades), proporciona melhores condições para os animais, melhorando sua produtividade e vida produtiva. O alto padrão de higiene do processo e as análises automatizadas das características do leite obtido a cada ordenha também agregam valor ao sistema e possibilitam maior confiabilidade ao produto obtido, todo destinado à cooperativa organizadora.

A partir do radar de inovação podem ser identificadas cinco áreas inovativas, sistêmicas e sinérgicas, que gerarão diferencial competitivo ao novo negócio desenvolvido pelo projeto:

Inovação de processo: a robotização/automação do processo de ordenha permite que sejam garantidas a qualidade do leite produzido, o ganho de escala, produtividade por animal e a minimização da necessidade de mão-de-obra;

Inovação na organização: primeiramente a organização de pequenos produtores em condomínios produtivos, para maximização produtiva e redução dos custos operacionais, pode ser identificada (sistemática oriunda dos conceitos cooperativos muito difundidos nas regiões de instalação dos condomínios), mas também a vinculação destes à uma cooperativa não pode ser desprezada;

Inovação em cadeia de fornecimento: o desenvolvimento de sistemas de fornecimento de matéria-prima em que a própria empresa de beneficiamento é parte integrante garante à Dália Alimentos garante maior confiabilidade na qualidade e na capacidade produtiva de seus fornecedores;

Inovação em relacionamento: o desenvolvimento dos condomínios trouxe para a região nova forma de colaboração entre os pequenos produtores de leite, que até então atuavam de forma isolada, possibilitando a maior produtividade e menor custo operacional. Também a vinculação direta destes com a indústria proporciona ganhos a ambos, garantindo o fornecimento de matéria-prima de qualidade superior à indústria e a garantia de colocação do produto produzido pelos condomínios; e

Inovação de solução: a oferta de produto previamente qualificado e em quantidades regulares, dos condomínios, gera à indústria menor custo de controle de matérias-primas no seu recebimento e melhor capacidade de programação produtiva. Também na relação indústria/cliente, a confiabilidade na qualidade da matéria-prima utilizada poderá gerar ganhos em relação ao conceito dos produtos no mercado consumidor.

Investir em inovação tem se comprovado algo determinante para muitas empresas. A Innoscience Consultoria vem acompanhado, desde 2009, a evolução do desempenho das empresas consideradas inovadoras através do 3I (Índice de Inovação Innoscience), apresentando comparativos de desempenho entre estas e as que compõem a o principal índice de valorização de ações nacional: o Ibovespa. O resultado dos últimos anos demonstra crescimento de 178,83% do valor das ações de empresas listadas no 3I frente os 33,71% de valorização das empresas que compõem o Ibovespa. Este comparativo, entre outros, reafirma que o investimento das empresas em inovação, com uma abordagem de gestão da inovação estruturada e acompanhada, minimiza os riscos de insucesso e maximiza seus resultados e sua valorização.

Gustavo Greve e Jeferson Rasche – Innoscience Partners

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