Bio-inovação energética: utilizando os relacionamentos para inovar.

Muito se tem ouvido falar sobre efeito estufa, aquecimento global e produção mais limpa nos últimos anos. As discussões sobre os temas ambientais têm aumentado a preocupação e valorização de produtos e sistemas ambientalmente responsáveis, afetando os mais diversos tipos de indústrias, inclusive o de geração de energia.

Mundialmente os níveis de consumo de energia têm crescido. Entre 2013 e 2014, segundo dados divulgados pela British Petroleum*, o consumo energético cresceu cerca de 2%, sendo a elevação da produção de energias fósseis de 1,69% e das demais 3,91% – nuclear 0,59% e renováveis 15,98%.

Nacionalmente, o consumo e fornecimento de energia fóssil tem apresentado significativos crescimentos, proporcionados pelo incremento necessário incremento no uso de termelétrica – devido à estiagem na região sudeste – e os incentivos à exploração de gás e petróleo junto ao pré-sal. Apesar destes, as energias renováveis, não considerando as hídricas, apresentaram crescimento de 7,89% entre 2013 e 2014.

Mesmo com crescimento da contribuição das energias renováveis inferior ao mundial, o Brasil destaca-se mundialmente pelo uso de energias renováveis, apresentando substancial parcela da sua matriz energética composta por estes. De forma geral, a matriz energética nacional é composta por 57,7% de energias fósseis, 1,3% de nuclear e 41,1% de renováveis ante 86,6%, 4,4% e 9,3% na matriz mundial respectivamente.

Fontes Matriz Energética Mundial Matriz Energética Brasileira
Participação % no ano de 2013 Participação % no ano de 2013
Petróleo 32,6% 39,3%
Carvão 30,2% 5,6%
Gás 23,5% 12,8%
Nuclear 4,4% 1,3%
Hidro 6,7% 12,5%
Biocombustíveis 0,5% 16,1%
Solar 0,2%
Eólico 1,1%
Geotermal 0,8%
Lenha e Carvão Vegetal 8,3%
Lixívia e outras renováveis 4,2%
Total 100,0% 100,0%

 

Considerando os usos, o setor de transportes é o segundo maior consumidor de energia nacional, sendo responsável pela utilização de 32,0% do total. Biodiesel, etanol e outras fontes de energia renovável foram responsáveis pela geração de 17% deste total, ou aproximadamente 5,4% do total da energia do país.

Iniciativas inovadoras para a majoração da geração de biocombustíveis para consumo pelo setor de transportes, entre outros, têm sido estudadas no Rio Grande do Sul, entre elas a desenvolvida pelo Consórcio Verde-Brasil, formado pelas empresas Ecocitrus e Naturovos, Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul) e Univates, entre outros parceiros. Priorizando a harmonização das áreas ambiental, social e econômica o projeto tem desenvolvido processos para a valorização de resíduos orgânicos, hoje ainda um grande problema relacionado à produção de alimentos, para a geração de energia.

O GNVerde, marca exclusiva da Sulgás, é um gás gerado a partir da decomposição de resíduos orgânicos provenientes principalmente da produção industrial cujas características são muito semelhantes às do gás natural utilizado para o abastecimento de veículos.

Proveniente da bioreação de compostos específicos, entre eles o de dejetos de aves e resíduos agroindustriais, o GNVerde alcançou índice de 98% de metano, percentual superior ao mínimo exigido pela ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis brasileira – 96%. Gerando chama de combustão limpa, ou com queima quase perfeita e baixa emissão de poluentes, o biocombustível alia-se à luta pela preservação do meio-ambiente e melhoria da qualidade do ar.

Cabe ao Professor Dr. Odorico Konrad e sua equipe do Laboratório de Biorreatores da Univates, dentro do projeto, o suporte técnico para realização de análises físico-químicas semanais dos materiais dos biodigestores e do teor de metano gerado, utilizando veículo – dentre seis movidos pelo combustível gerado na planta da empresa Ecocitrus – para o monitoramento. O suporte técnico para o projeto ainda busca fornecer subsídios para o desenvolvimento de normatização para a geração e uso de biocombustíveis desta natureza.

Por apresentar queima quase perfeita, com emissão de poluentes muito baixas, além de ter sua geração a partir de resíduos orgânicos, o GNVerde é considerado um forte aliado para a preservação do meio ambiente. Conforme o Prof Konrad “As emissões são muito menores que a gasolina e outros combustíveis. Para ambientes urbanos, é muito melhor utilizar biometano do que outro combustível, então passa a ser também um caso de saúde pública, pela questão de diminuir a poluição.”.

Como consequência dos bons resultados obtidos para o uso do GNVerde no setor de transportes, já está sendo considerado o uso do combustível para geração de energia elétrica no câmpus da Univates.

A estruturação e desenvolvimento de alternativas ambientalmente responsáveis, como as do Consórcio Verde-Brasil, têm se multiplicado, utilizando fontes energéticas diversas, no estado. Projetos de novas estruturas energéticas, utilizando inclusive fontes antes consideradas como passivos ambientais, concebidos a partir de processos estruturados para inovação poderão contribuir para maximização de projetos ambientalmente responsáveis.

Projetos como em desenvolvimento pelo Consórcio Verde-Brasil apresentariam significativa dificuldade para seu desenvolvimento e concretização se promovidos de forma isolada ou com a contribuição de poucos, devido aos limites de conhecimento inerentes às áreas de atuação individuais. A associação com parceiros, especializados e em número suficiente para atendimento às áreas demandadas para o desenvolvimento de projetos inovativos, permite, entre outras, a redução dos custos, dos tempos de cada uma das suas etapas e total e o desenvolvimento tecnológico de todos os envolvidos.

octogonoConsiderando os recursos limitados e a agilidade com que novos produtos e processos são desenvolvidos, são fundamentais os relacionamentos em rede, como os utilizados no projeto do GNVerde, abordados na dimensão “Relacionamentos” do Octógono da Inovação desenvolvido pela Innoscience.

Gustavo Greve – Innoscience Partner

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