Medina, Surfe e a Gestão de Projetos Inovadores

O Medina é demais! Além de ser o primeiro brasileiro a conquistar o título de campeão mundial do WCT ainda permite aprendizados para gestores de projeto. Afinal, uma das palavras da moda é Projeto. Todo mundo tem projeto. Mas há projetos e projetos. Existem projetos que envolvem fazer as mesmas coisas que os demais estão fazendo. E há os projetos de inovação. Que envolvem redefinir as regras do jogo. Acontece no esporte e no ambiente empresarial.?????????????????????

Surf x Snowboard

Para diferenciar tais circunstâncias gostaria de compartilhar a diferença da prática de dois esportes aparentemente similares. Como muitos jovens dos anos 80 e 90 fui sensibilizado pelo Surf. Tinha primos e amigos que surfavam e me identifiquei com a cultura e lifestyle do esporte. Passei a viajar para encontrar as melhores ondas no Peru, Chile, Fernando de Noronha, Santa Catarina e Uruguai. O tempo passou e a idade começou a “pegar”. O surf foi ficando mais desafiador. O preparo físico. Ainda surfo em algumas oportunidades como lazer mas são cada vez menos frequentes.

Por outro lado, nos últimos 10 anos, parte desse mesmo grupo de familiares e amigos se reuniu novamente para praticar outro esporte com prancha. O snowboard. Neve. Frio. Condições climáticas por vezes hostis. Já fomos a Las Lenas, Valle Nevado, Bariloche, Chapelco entre outros “picos de snow”.

Projetos de Melhoria x Inovação

Comparando essas duas experiências aprendi sobre inovação. Vejo muito em nossos projetos de consultoria em inovação executivos que repetem abordagens em contextos muito distintos. Como se o fato de serem empresas do mesmo setor exigissem a mesma abordagem. Ou como se o fato de ter usado uma abordagem comercial numa empresa com sucesso no passado garantisse a sucesso na implementação desta mesma abordagem numa outra.

Há projetos de melhoria e projetos de inovação. São situações totalmente distintas que demandam ferramentas e mentalidade distinta. Ainda que o surf e o snowboard sejam ambos esportes com prancha, apresentam contextos distintos. O Surf é inovação. O Snowboard é melhoria.

No Snowboard as condições de pista, o que representa na empresa as condições internas e de mercado, tem maior previsibilidade e estabilidade. Alguém poderá argumentar que o tempo muda, começa a nevar, abre o sol, melhora a visibilidade, ou seja, as condições mudam. Agora pense no Surf.

Numa mesma manhã de Surf as ondas mudam de forma muito significativa até nas mais perfeitas como Pipeline. Até ai há similaridade com a pratica do Snowboard. Seria a gestão de projetos de melhoria igual a gestão de projetos inovadores? No Snowboard uma descida pode ser muito similar a outra. Você pode inclusive percorrer o mesmo caminho para exercitar uma determinada manobra. Você pode optar por ir sempre pelo mesmo lado da pista.

No Surf a coisa é diferente. Nunca há duas ondas iguais. Dentro de uma mesma onda pode haver mudanças abruptas. Você começa a remar para a onda com uma idéia em mente. Quando a onda se aproxima, por vezes, há que se mudar de direção e preparar uma nova entrada. Quando você enfim entra na onda, o que no Snowboard seria começar a descer a montanha, pode haver a necessidade de mudar tudo aquilo que você havia originalmente pensado para aquela onda. Você levanta na prancha, faz o drop realiza uma primeira manobra e prepara-se para aquele tubo, inesquecível. Nesse momento, numa fração de segundos, as condições mudam completamente. O tubo se transforma numa “vaca” e se o surfista não ajustar a sua idéia e a execução, corre o risco de ser arremessado para o fundo do mar.

É por ai… o Surf e o Snow, assim como a gestão de projetos de melhoria e inovação, tem enormes diferenças mesmo que existam similaridades. Definitivamente, copiar as práticas de um contexto para o outro não apresenta garantia de resultados. Quando o contexto é instável e imprevisívelm a mentalidade, práticas e ferramentas precisam ser distintas. Há que se adotar 3 premissas chave:

 As lições para gestão de projetos inovadores

  • Deliberar uma estratégia inicial: Os projetos inovadores mesmo que apresentem alto nível de incerteza exigem um direcionamento inicial claro, até para facilitar a interação com o ambiente e o aprendizado para correção de rota. Sem insight sobre a situação e uma ideia de como lidar eficazmente com ela, não importa a qualidade da onda.
  • Manter o escopo do projeto aberto por mais tempo: Diferente dos projetos de melhoria que exigem a fixação inicial do escopo e o trabalho dentro desse espaço definido, os projetos de inovação apresentam melhores resultados quando mantém o escopo aberto por mais tempo. O Viagra, medicamento para disfunção erétil e a H20, água saborizada da Pepsico são casos nos quais a alteração do escopo foi decisiva para o sucesso dos mesmos. Algumas ondas do Gabriel tanto em Pipeline como em Teahupoo exigiram significativa mudança.
  • Interagir com o contexto de forma contínua: Em função da característica incerta e volátil dos projetos inovadores, há que se manter contato contínuo com o contexto onde ele ocorre. Não há como se isolar e fazer estratégia de dentro da sala. É com essa interação com clientes e demais stakeholders que você aumenta as chances de aplicar a estratégia inicial e deliberar quando é a hora de manutenção ou alteração do escopo do projeto em que intensidade. Como o Medina que parece ter uma integração nativa com a onda.

Depois de ter dominado a gestão de projetos em condições de estabilidade é hora de aprofundarmos o entendimento de como obter os melhores retornos com os projetos de inovação.

São eles que garantirão vantagem competitiva e liderança para nossas empresas. Foi um desses projetos de inovação que colocou o Medina na frente dos demais.

#vaimedina

Aloha e até a próxima inovação!

Maximiliano Selistre Carlomagno

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