Inovação, na prática

Tenho trabalhado com empresas de diferentes setores e portes para estruturar e sistematizar a gestão das iniciativas de inovação, combinando elementos como estratégia, processo, cultura e orçamento para tornar a inovação, realidade. Nesse caminho, percebo que para muitos executivos e gestores, a grama do vizinho parece mais verde que a deles, quando se fala em estruturar a inovação.

As empresas de tecnologia reclamam do ciclo de vida curto dos produtos, da necessidade de renovação contínua e de alocar até 20% do faturamento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI). Em mercados mais tradicionais ou de commodities, a queixa pode ser direcionada ao perfil de clientes, que dificilmente pagam por novidades ou enxergam possibilidades de transformação nos negócios. Há também empecilhos relacionados ao porte da empresa: entre as grandes, a falta é de agilidade, flexibilidade e aceitação em desenvolver iniciativas mais radicais; nas pequenas, ressalta-se a escassez de recursos humanos e financeiros destinados a inovar. Desculpas não faltam.

No setor de alumínio não é diferente. Margens cada vez mais escassas, invasão de produtos importados e estagnação nos preços geram desafios de produtividade e custos de operação. Essa situação também motiva a pensar novos modelos de negócios e aplicações que possam garantir a manutenção da competitividade das empresas.

O fato é que inovar deixou de ser uma opção para a maioria das empresas. Serão competitivas empresas que fomentarem novas formas de pensar, solucionar problemas e gerir negócios – ou seja, inovar não se resume a criar produtos ou serviços, mas é sinônimo de estar aberto a quebrar paradigmas. Não se sabe, porém, por como ampliar a capacidade de inovação ou começar a criar uma cultura de inovação. Ouço me perguntarem como devem fazer para virar uma 3M, um Google ou uma Apple do seus setores de atuação.

O ponto de partida está em estabelecer uma estratégia de inovação alinhada com a realidade do mercado, com drivers ou plataformas que possam alavancar a competitividade, seja através de novos produtos, canais, mercados, modelos de negócios, reduções de custos, aumentos de produtividades, novas tecnologias. Para colocar isso em prática é preciso fazer a leitura do cenário no qual a empresa está inserida. Normalmente o ponto de partida são insights a partir de problemas e oportunidades. Problemas relacionados à operação, atendimento, entrega, etc… podem gerar um direcionamento inicial. Novas tecnologias, existência de nichos de clientes mal atendidos ou mesmo mudanças de regulamentações podem ser avaliadas como boas oportunidades para inovar.) As possibilidades são muito grandes e cabe à empresa definir seus drivers de desenvolvimento para começar a gerar projetos que possam traduzir essa estratégia.

Não existe, porém, uma bala de prata quando se fala em criar uma cultura de inovação. Ela é fruto de um conjunto de práticas estabelecidas e sustentadas ao longo do tempo. Acredito que a gestão da inovação fica bem estruturada se estiver formando toda uma política que passa por oito dimensões: liderança, estratégia, processo, funding, relacionamentos, pessoas, cultura, e estrutura. Cada uma requer políticas específicas, como por exemplo, na liderança é importante a sensibilização, alinhamento e vinculo com indicadores de avaliação de desempenho. Estratégia é preciso estabelecer quais tipos de inovação (produto, processo, modelo de negócios, relacionamento, presença, experiência do consumidor, etc… são pelo menos 12 tipos diferentes) vamos buscar e com qual intensidade (incremental vs radical). Para o processo é preciso configurar como vamos gerar os insights, as ideias, como vamos avaliar/priorizar, estabelecer a forma de estruturar, experimentar e introduzir no mercado as inovações. Quanto ao funding, precisamos estabelecer orçamento, fontes de recursos e sistematizar a operação dessas atividades. Relacionamento significa utilizar clientes, parceiros, concorrentes e universidades no processo. Muitas possibilidades existem quanto a como (presencial, virtual, utilizando brokers de tecnologia), em que fase do processo de inovação (queremos ideias, a inovação já mais desenvolvida ou mesmo queremos fazer o caminho contrário, ou seja, comercializar algumas tecnologias que desenvolvemos com terceiros).

Todo ano, o estudo Global Innovation 1000 analisa os maiores investimentos de Pesquisa & Desenvolvimento no mundo. Entre vários achados da pesquisa, anualmente tem se repetido uma questão: os mais inovadores não são necessariamente os que mais investem em inovação. Independente do setor, as empresas de maior sucesso são aquelas que realizam a gestão da inovação de forma mais efetiva, o que foi chamado de produtividade em inovação. Isso não significa que você não precise investir para inovar – pelo contrário, sem funding não fazemos esse projetos virarem realidade. No entanto, é preciso investir em uma abordagem estruturada da inovação, que se fundamente na estratégia do negócio e que prepare toda a equipe para contribuir para essa visão.

Felipe Scherer

Artigo publicado originalmente na Revista Alumínio, edição 40: https://www.magtab.com/leitor/880/edicao/10392

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