Qual o seu portifólio de competências para inovar?

slide01Criatividade e inovação são fenômenos complementares mas distintos. Inovar significa transformar novas ideias, criativas, em um novo processo, produto, serviço e modelo de negócio que gere resultado para o inovador.

O processo de inovação não se resume a criar. Envolve descobrir, testar e monetizar novas oportunidades. Quem opera esse processo são empreendedores e intra-empreendedores. Pessoas que aplicam um conjunto de competências em situações de negócios para alcançar seus objetivos independente de cargo ou função.

Nos últimos anos muitos trabalhos se predispuseram a analisar quais as competências dos inovadores. Estudamos o fenômeno do perfil dos inovadores sob diferentes aspectos. Identificamos diversas teorias sobre o tema. Grande parte listava um conjunto de atributos com maior aderência com criatividade do que com inovação. Se somássemos todas as competências dessas teorias teríamos um Super Homem. Um dos principais estudos foi consolidado no livro O DNA do Inovador dos professores Clayton Christensen de Harvard e seus colegas do Insead e Wharton.

Percebemos que a teoria sobre o tema ainda não estava madura. Sabíamos, por nossa experiência apoiando inovadores, que existem distintos papéis necessários para fazer uma nova ideia virar resultado. A inovação não é um processo individual mas uma interface social e organizacional.

Estruturamos nossa abordagem em função da cadeia de valor da inovação. Compreender a lógica de desenvolvimento das ideias inovadoras é fundamental para identificar quais trabalhos são feitos e que competências são demandas.

As competências que são importantes na fase de criação da ideia diferem daquelas necessárias para seu desenvolvimento e execução. A ideia evolui e as habilidades necessárias para sua execução também. Identificamos 7 competências que formam o mais essencial para quem precisa inovar.

IDENTIFICAÇÃO DE OPORTUNIDADES

Captação, interpretação e associação de informações a partir de problemas e tendências, e transformação em oportunidades.

  • Criatividade e imaginação
  • Associação
  • Questionamento
  • Observação

MOTIVAÇÃO PARA MUDANÇA

Receptividade, engajamento e mobilização de terceiros para mudanças no ambiente de trabalho.

  • Pro atividade
  • Engajamento
  • Mobilização
  • Abertura para novo
  • Motivação

COMPORTAMENTO COM RELAÇÃO A DESAFIOS

Persistência diante de dificuldades dos projetos. Controle emocional visando minimizar a ansiedade e a frustração inerentes à resolução de problemas.

  • Persistência
  • Confiança
  • Otimismo

ADAPTAÇÃO DURANTE OS PROJETOS

Flexibilidade, desenvolvimento e aceitação de novas soluções permitindo adaptações e ajustes nos projetos. Assertividade em negociações, bom senso e ponderação.

  • Flexibilidade
  • Abertura para sugestões
  • Saber ouvir
  • Humildade
  • Resiliência

TOLERÂNCIA ÀS INCERTEZAS

Gerenciamento de projetos com alto grau de risco e informações incompletas. Autocontrole emocional, saber lidar com a pressão situacional.

  • Confiança
  • Otimismo
  • Tolerância à ambiguidade
  • Experimentação

FOCO EM RESULTADOS

Execução de atividades com cumprimento de prazos e orçamento com atenção aos detalhes. Manutenção do foco, esforço e motivação para o alcance das metas. Estabelecimento de prioridades. Trabalho em equipe, empatia nas relações, eficácia na comunicação.

  • Objetividade
  • Execução
  • Concentração
  • Automotivação
  • Flexibilidade

GESTÃO DE PROJETOS

Análise, planejamento, implementação de projetos de maneira organizada. Mobilização de outras pessoas, identificando e utilizando os recursos individuais e coletivos dos mesmos. Capacidade de resolução de conflitos. Busca por recursos físicos e materiais necessários para o bom andamento do projeto.

  • Método
  • Organização
  • Análise
  • Relacionamento
  • Mobilização
  • Motivação
  • Liderança
  • Empatia

As 7 competências alinham-se com as quatro fases da cadeia de valor da inovação. Na Idealização as competências de Identificação de Oportunidades e Motivação para Mudança são as mais críticas. Na fase de Implementação, Foco em Resultados e Gestão de Projetos. Descobrimos que há pessoas que são naturalmente mais instrumentalizadas para uma ou outra fase da cadeia de valor em função de seu portifólio de competências. Conseguimos perceber a formação de um conjunto básico de quatro perfis.

  • Criadores: Questionam, associam, percebem sinais e tem condição de antecipar oportunidades e montar uma proposta inicial sobre determinado tema.
  • Refinadores: Tem dificuldade de partir do zero mas são muito bons em fazer as ideias evoluírem, perceber falhas, identificar riscos e complementar abordagens ainda brutas.
  • Experimentadores: Prototipadores, alta orientação para testar e colocar para funcionar um projeto piloto que possa indicar aprendizados e até novos caminhos para a ideia. São flexíveis e abertos a incorporar aprendizados nas ideias.
  • Executores: Focados em implementação. Facilidade de gerenciar pessoas, orçamento, cronograma e fazer as coisas acontecerem dentro ou fora de grandes empresas.

Essa nova proposição tem implicações significativas para profissionais e empresas no que tange a inovação, times, desenvolvimento de pessoas e gestão de projetos. A política do “quem deu a ideia tem que gerenciar o projeto até o fim” pode efetivamente não ser uma boa alternativa.

A formação de times de inovação deve considerar outros aspectos além de mesclar pessoas de diferentes áreas como marketing, finanças, engenharia, comercial ou outra qualquer.

A liderança dos projetos inovadores deve ser pensada sob novos enfoques. Outro aspecto importante, é o questionamento da noção de que apenas os criativos são relevantes para a inovação. Esse entendimento abre um novo espaço para que profissionais com as competências apresentadas contribuam com o processo de inovação.

Conhecer as competências das pessoas e times permite aloca-las onde rendem mais. Desenvolve-las e reforça-las permite melhorar desempenho.

A chance de transformar ideias criativas em resultado irá aumentar significativamente com o gerenciamento do portifolio de competências para inovar de nossos empreendedores.

Até a próxima inovação

Maximiliano Selistre Carlomagno

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4 comentários sobre “Qual o seu portifólio de competências para inovar?

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