O funil ainda funciona?

Quem já leu alguma coisa sobre o processo de inovação provavelmente em algum momento tenha se deparado com um modelo parecido com um funil com atividades sequenciadas intercaladas com momentos de avaliação. Essa metodologia chamada de stage-gate foi desenvolvida na década de 80 e durante muito tempo foi quase unanimidade entre acadêmicos e gestores.

De forma geral, o modelo original stage-gate trata das atividades que vão desde a geração das ideias até o lançamento em 5 fases distintas: descoberta, investigação preliminar, planejamento, desenvolvimento, testes, lançamento.

Durante muito tempo essa abordagem trouxe uma lógica ao até então desestruturado processo de inovação, garantindo que as sequencia de atividades e avaliações necessárias fossem realizadas.

Porém nos últimos 10 anos inúmeros questionamentos a efetividade do modelo começaram a surgir. Críticos afirmam que o métodos é muito linear, muito rígido, muito burocrático ou mesmo que não permite a experimentação. Somadas as essas críticas entra em cena a lógica do lean startup que questiona o modelo tradicional de preparação e condução de projetos com maior grau de novidade e incerteza.

Escrevi um post sobre Lean Innovation e como essa filosofia baseada no aprendizado tem mudado a abordagem de desenvolvimento do processo de inovação. Mas será que o funil e o stage-gates ainda faz sentido?

A resposta mais direta é que sim, desde que algumas premissas sejam incorporados à abordagem do funil: flexibilidade, agilidade e velocidade (veja aqui um artigo escrito pelo criador da metodologia stage-gates).

Flexibilidade: nem todo projeto deve ser desenvolvido da mesma maneira. Projetos com diferentes níveis de incerteza e grau de novidade pedem uma abordagem diferente em relação a sequência de atividades e até mesmo os gates de avaliação.

Agilidade: uma das maiores críticas ao modelo original é em relação à necessidade de seguir uma quantidade de etapas até chegar a efetiva testagem e validação com os futuros usuários. Na nova visão cabe incorporar a lógica do manifesto ágil, criando um fluxo contínuo de entregas e validações intermediárias.

Velocidade: o modelo sequenciado de atividades deve ser repensado para que atividades possam ser executadas em paralelo através de diferentes times que colaboram. O uso de ferramentas de tecnologia da informação consegue permitir o trabalho colaborativo e automatizar algumas atividades do processo de desenvolvimento.

Felipe Scherer

Publicado no blog Inovação na Prática da Revista Exame

Anúncios

Um comentário sobre “O funil ainda funciona?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s