O que a eliminação da Espanha na Copa ensina para sua empresa sobre inovação e estratégia

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O mundo do futebol discute nesse momento a derrocada da Espanha na Copa do Mundo. Não importa quem irá vencer a Copa. Esse episódio sozinho apresenta insights muito interessantes. Nos últimos 6 anos os espanhóis ganharam duas Eurocopas e uma Copa do Mundo. Encantaram o mundo com uma estratégia denominada Tiki Taka, inspirada no Barcelona que, por coincidência ou não, também viu seu império ruir na Europa nos últimos 2 anos.

Esse processo de desgaste da estratégia do TikI Taka oportuniza discussões no campo do futebol mas, sem dúvida nenhuma, oferece aprendizados para gestores e empreendedores que querem manter suas empresas a frente dos concorrentes e com chances reais de títulos!

Para compreender o que ocorreu com a Espanha cabe lembrar um artigo que escrevi tempos atrás sobre o ciclo de obsolescência. “O que ocorre com os produtos e tecnologias também se desenvolve com as estratégias e os modelos de negócio. A estratégia de venda direta de micro computadores da DELL foi uma inovação que gerou vantagem competitiva mas acabou suplantada. O negócio da VARIG baseado em serviço, atendimento e preço premium também. As redes de locação e venda de CD’s e DVD’s passaram por processo semelhante e foram substituídas por empresas com estratégias mais eficazes dado o novo cenário”. Ainda complementei: “O tempo passa. As condições mudam. Algumas empresas se antecipam. Outras reagem. Há aquelas que deixam de ser relevantes. Ou ainda as que somem do mapa. Não há vantagem competitiva sustentável”.

A Espanha de Iniesta, Casillas, Xavi e Sergio Ramos enfrenta o mesmo desafio que acontece com as empresas. O ciclo de obsolescência de sua forma de competir acentuou-se aceleradamente. Quando um modelo de negócios ou mesmo um estilo de jogo se distingue dos demais e se prova altamente eficiente, quatro situações importantes emergem:

a) sua empresa ou seu time tendem a pensar que a situação positiva permanecerá eterna e deixam de ter a intensidade de foco em temas críticos que a fizeram líder, como, por exemplo, a capacidade de se renovar;

b) sua formula do sucesso passa a ser minuciosamente analisado e os seus segredos desvendados, um a um, jogando a base de competição para a eficiência na execução;

c) uma parcela dos concorrentes opta por tentar copia-lo acreditando que seja a única forma de vence-lo;

d) outra parcela de concorrentes tenta encontrar formas de suplanta-lo atacando suas fraquezas e deslocando o jogo para locais onde suas forças não são relevantes.

Analisando os últimos anos do futebol espanhol é possível identificar a presença dos quatro elementos. Os espanhóis não parecem ter mais a mesma intensidade. Avaliando jogador a jogador, histórico e estatística das últimas 2 temporadas é possível ver a queda de rendimento: Pujol anunciou saída do Barça e eventual aposentadoria em função de lesões e dificuldade de recuperação. Casillas ficou no banco de reservas diversos jogos com diferentes técnicos. Quando jogou, como na final da Champions League, teve dificuldades. Diego Costa, a potencial solução, chegou lesionado. Xavi vem de 2 anos de apresentações menos impactantes. Pique cada vez mais lento. Mata longe de seus melhores tempos de Chealsea.

Por outro lado, muitos tentaram desvendar os segredos da Espanha e do Barcelona. Em recente entrevista Mourinho destacou o fato dos times terem aprendido a jogar contra a Espanha e o Barcelona como o principal fator dessa mudança de patamar. Esse processo começou com as tentativas de Mourinho x Guardiola ainda infrutíferas mas catalisadoras. Passando pela estratégia alemã suplantando o Barcelona no ano passado até as vitórias do Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Ancelotti com um modelo absolutamente distinto do tiki taka.

Na seleção os sinais eram mais sutis, dado que não joga com tanta frequencia mas também podiam ser antecipados. A derrota na copa das confederações para uma seleção brasileira que não havia de fato empolgado foi um sinal importante. O desempenho nessa Copa do Mundo mostrou o desgaste e obsolescência do modelo. A Holanda a derrotou de forma inquestionável. O que mais me chamou atenção nesse jogo foi a falta de intensidade na marcação no campo do adversário e a dificuldade de troca de passes, símbolos do antigo futebol espanhol. O Chile repetiu o feito e jogou em cima da Espanha. Mostrou mobilidade com agressividade. A Espanha não teve forças nem alternativas previamente testadas para uma nova estratégia.

A gestão do time Espanhol deveria ter percebido esses sinais e desenvolvido alternativas para novas estratégias, assim como o Presidente de uma grande empresa que precisa fazer a empresa rentável hoje e competitiva no futuro. Nenhum deles pode deixar de tomar decisões duras e necessárias quando identificam que o negócio está ou estará em ameaça. Nenhum deles pode acreditar que “porque ganhou vai seguir ganhando”. Nem o técnico nem o gestor podem deixar de plantar as oportunidades futuras. No futebol e nos negócios, o sucesso repetido não é regra mas exceção. Falta de humildade, segredos desvendados, cópia e novos concorrentes são os efeitos do sucesso causados pelo ciclo de obsolescência.

Tracemos um paralelo com o ambiente de negócios. Você se recorda dos vídeo cassetes? Foram substituídos pelo DVD. Que está em franca ameaça por outras fontes como Straming de vídeo, tv a cabo oferecendo locação de filmes além de outras formas de entretenimento como a internet.Durante anos, os jovens usaram o Messenger (MSN) para conversar com os amigos. Sabe o que aconteceu com ele? Não existe mais. O BBM – serviço de mensagem do blackberry, o facebook e o whats app o liquidaram.

A estratégias e modelos de negócio apresentam uma fase de descoberta, seguida por uma fase de ganho de aderência quando a coisa “encaixa”. A partir dai, algumas dessas estratégias e modelos de negócio ganham velocidade e abrangência gerando vantagem competitiva e retornos superiores a seus detentores. Quando o cenário muda, por diferentes fatores, a estratégia começa a se desgastar e perder distintividade, ocasionando a perda de vantagem e resultados anormais. Feliz ou infelizmente os negócios tem um ciclo de obsolescência. As estratégias e modelos de negócio perdem tração. As vantagens competitivas desmoronam.

A mesma coisa que ocorre com os produtos e tecnologias acontece com a estratégia e modelos de negócios das empresas. A empresa encaixa uma estratégia vencedora. Consegue expandir receitas e margens de lucro. Angaria atenção dos competidores que a copiam ou contra-atacam. Perde vantagem. E precisa se renovar. Parece que ocorre também com os times vencedores como a Espanha.

Uma hora ou outra, mais cedo ou mais tarde, seu modelo de negócios ou a estratégia do seu time vai ficar obsoleta. Ocorreu com a Espanha. Acontece com nossas empresas. A única alternativa é antecipar esse processo e, deliberadamente, procurar o equilíbrio entre a busca de eficiência na execução do modelo atual ao mesmo tempo em que objetiva sua destruição e criação do futuro modelo de sucesso.

Algo que a Espanha não fez.

Até a próxima inovação, ou, próxima Copa do Mundo.

Maximiliano Selistre Carlomagno – sócio fundador da Innoscience, autor dos livros Gestão da Inovação na Prática e Práticas dos Inovadores: Tudo que você precisa saber para começar a inovar.

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