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Nova tecnologia promete melhorar desempenho de atletas

 

Diversos esportes de alto nível são decididos em questão de centésimos ou centímetros. Momentos como vimos na olimpíada do Rio de Janeiro são fruto de uma preparação intensa de atletas que tem nesses eventos a hora da verdade na busca pela glória. Muito antes disso há uma intensa preparação que requer disciplina, método e conta com a ciência do esporte como aliada para melhorar o desempenho dos atletas.

Uma empresa americana chamada Halo Neuroscience desenvolveu um produto que promete melhorar a performance de atletas de alto nível através da estimulação neural. O produto é chamado de Halo Sport e aparenta ser um fone de ouvido comum mas com sessões de apenas 20 minutos aumenta a capacidade de aprendizado do cérebro para novos movimentos e e habilidades.

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Os fundadores são empreendedores experientes que desenvolveram anteriormente um neuro-estimulador voltado para pacientes com epilepsia mas que viram uma oportunidade em democratizar a neuro-tecnologia para outras aplicações sem a necessidade de implantes. Conversei com um dos fundadores, Brett Wingeier, um engenheiro biomédico que explicou o funcionamento da tecnologia.

Basicamente o Halo Sport estimula o córtex motor (responsável por controlar os movimentos) através ondas magnéticas, criando um estado de hiper plasticidade temporário. Nesse estado o cérebro do atleta consegue aprender movimentos repetitivos de forma mais acelerada. Segundo os estudos realizados pela Halo com atletas de alto nível, os resultados são da ordem de 10% na melhora do desempenho. Além disso, há vasta literatura científica que sustenta a influencia da neuro-estimulação no desempenho do cérebro para novas atividades.

Diferentemente do implante voltado para pacientes de epilepsia, o Halo Sport não necessitou de aprovação nos órgãos reguladores americanos, uma vez que visam o mercado de pessoas saudáveis sem riscos aqueles que utilizam. Segundo Brett, em poucas semanas após o início da utilização do produto já há melhora nos treinamentos dos atletas.

Apesar de não revelar os nomes dos atletas, Brett comenta que diversos atletas já utilizam a tecnologia em sua preparação para as olimpíadas, tanto de inverno quanto de verão. Ele citou o trabalho em parceria com o time olímpico americano de ski, no qual os atletas tiveram melhoras de 13% na capacidade propulsão e 11% no desempenho dos saltos. Outro experimento foi feito com a academia de preparação de atletas de alto nível do ex-campeão olímpico Michael Johnson. Os atletas que utilizaram a tecnologia tiveram incremento de 12% no desempenho contra apenas 3% do grupo de controle. Tudo isso em apenas 2 semanas. Diversos outros atletas profissionais das ligas NFL, NBA e MLB também estão começando a utilizar o produto.

Recentemente as forças armadas americanas se interessaram pela tecnologia. Soldados das tropas de elite são, também, atletas de alto desempenho. O mercado potencial do produto é enorme na visão de Brett. A estratégia adotada está focando inicialmente em atletas e soldados das forças especiais visando até mesmo aprimorar o produto. Na sequencia o produto poderá atender qualquer pessoa que visa melhorar seu desempenho e não só atletas profissionais. A inovação já vem atraindo muita atenção de atletas de esportes que requer grande esforço como o cross fit e outras modalidades.

As possibilidades não param por ai. O Halo Sports é para atletas porém no futuro a tecnologia poderá ser aplicada em produtos para aumentar o aprendizado, melhorar a atenção, aliviar dores, etc… O produto já teve duas ondas de pré-venda, todas elas esgotadas rapidamente. O preço de venda é na casa de US$ 679,00 e estará disponível novamente no final da primavera.

Felipe Ost Scherer

Texto originalmente publicado no Blog Inovação na Prática da Revista Exame.

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Seu escritório pode estar matando a inovação

Querendo ou não, o layout dos escritórios dizem muito sobre a cultura de uma organização. Mesmo de maneira inconsciente as pessoas fazem a “leitura” de como trabalhar, entre outros elementos, do local físico no qual estão inseridas.

É muito comum entrar em escritórios que foram projetados para manter as individualidades com salas fechadas, baias individuais e algumas salas de reunião (sempre muito disputadas, talvez um anseio por parte das pessoas de trabalharem mais próximas). Infelizmente a ideia de status associada a ter uma sala individual e um grande mesa ainda existe em muitos lugares.

O espaço físico impacta nossos comportamentos. Recentemente fui visitar algumas escolas para minha filha de 4 anos. Todas elas apresentavam algo em comum: mesas compartilhadas (normalmente para 4 a 6 crianças), paredes coloridas (com desenhos e outros estímulos) e algumas subdivisões informais que serviam para as diferentes atividades como contar historias, brincar, etc. Questionei o porque desse modelo e invariavelmente a resposta foi que dessa forma estimulava a colaboração, criatividade e senso de grupo nas crianças.

Uma das coisas que mais admiro nos educadores infantis é a capacidade de coordenar um grupo grande de crianças. Elas conseguem criar uma atmosfera criativa, colaborativa e também produtiva com as crianças. Além de toda preparação pedagógica acredito que o ambiente da sala de aula tem impacto nisso também.

Voltando para nosso universo empresarial, a influência do modelo industrial ainda tem grande impacto em como trabalhamos. Porém acredito que estejamos passando por uma transformação nesse aspecto. Diversas empresas, influenciadas principalmente pelas empresas de tecnologia do Vale do Silício, estão mudando a forma como organizam o ambiente de trabalho.

Fui conversar com alguns especialistas para entender essa relação entre o ambiente físico dos escritórios e o impacto na inovação. Albert Sugai, sócio do escritório de Arquitetura e Design de mesmo nome, cita que o escritório da empresa deve traduzir os valores e a cultura desejados.

“Os valores das empresas devem refletir em seus espaços, com a cultura enraizada para que os funcionários possam ter um sentimento de ownership. Além disso, esta transparência atrai e retém os melhores talentos. É necessário que a empresa tenha um appeal no mercado e é preciso ser bem vista de diversos ângulos, principalmente o interno.”

Assim, se uma empresa está querendo fomentar uma cultura de inovação deve prestar atenção a todos os detalhes, inclusive seu escritório. Não bastasse isso, Albert também ressalta que a nova geração de trabalhadores, a chamada geração Y, está em busca de atrativos e modelos de trabalho diferentes:

“Com relação a produtividade, atualmente uma porcentagem considerável de funcionários vem da geração Y. Para eles a diferença entre lazer e trabalho possui uma linha muito tênue, o que é ótimo. Logo um escritório muito rígido e sem ambientes de interação e descontração é contra produtivo.”

As empresas de tecnologia são hoje as grandes indutoras desse processo de remodelação dos padrões corporativos relativos a esse tema. Vocês já devem ter visto fotos do Googleplex (retratado no filme Os Estagiários) e os escritórios de empresas como Facebook, Twitter, GoDaddy, Zappos… Cada empresa e setor deve ter sua identidade traduzida no local de trabalho e quando a inovação é algo valorizado, esses elementos devem ser levados em consideração.

Um livro interessante sobre esse tema chama-se Make Space (sem tradução para o português), escrito por Scott Doorley e Scott Witthoft. Nele os autores abordam diferentes elementos para criar ambientes voltados para colaboração, imaginação e construção de protótipos para novas ideias e projetos. O livro é uma dica legal para quem está buscando incorporar algumas boas práticas já validadas nos laboratórios da escola de design de Stanford.

Outro estudo sobre o tema foi publicado em 2014 na Harvard Business Review. Os autores coletaram dados em inúmeras empresas para, então, poder estabelecer uma relação do melhor modelo de escritório. Para eles, encontros casuais durante o dia a dia de trabalho, as chamadas “colisões”, são importantes para melhorar a performance de trabalhadores do conhecimento.

A matriz abaixo relaciona duas variáveis: lugar fixo/flexível versus espaços fechados/abertos. Cada uma das 4 possibilidades cumprem melhor um objetivo específico. Essa leitura é interessante pois permite estruturar espaços com diferentes objetivos de trabalho dentro de um mesmo ambiente corporativo.

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Fonte: https://hbr.org/2014/10/workspaces-that-move-people

Outro dado interessante trata da colaboração e interação entre pessoas. Segundo um estudo importante realizado na década de 70 por Thomas Allen, nós temos quatro vezes mais chances de nos comunicar com pessoas que estão até 2 metros de distância daquelas que estão 20 metros. Esse conceito de densidade é super importante, uma vez que a colaboração e comunicação diminui consideravelmente com a distância e pela separação dos times em andares e divisórias.

Ainda há outros elementos a se levar em consideração como cores e mobiliários. Todos importantes. Se você está buscando criar um ambiente favorável à inovação em sua empresa, não deixe de observar esses elementos, pois seu escritório pode estar matando a inovação!

Felipe Ost Scherer

Texto originalmente publicado no Blog Inovação na Prática – Revista Exame

Inovação não é apenas desenvolver novos produtos

A Apple lançou nessa semana um novo conjunto de produtos e serviços. Algumas melhorias e poucas inovações. Tem sido assim nos últimos anos, baseados na trilogia de blockbusters Ipod-Iphone-Ipad. Há inovações radicais que transformam mercados, criam novas categorias e mudam a base de competição de indústrias existentes, como esses 3 casos, e há inovações incrementais com menor grau de novidade e menor impacto nos resultados (tela retina, melhor camêra, siri).

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Divulgação

Mas não se engane, a inovação não vem apenas em forma de produtos. O radar da inovação apresenta 12 dimensões de seu modelo de negócio que você pode inovar.

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Fonte: Sahwney et al (2006)

Temos utilizado o Radar da Inovação para: a) identificar o perfil de inovação atual de empresas; b) comparar com o perfil setorial e dos concorrentes; e c) desenhar uma estratégia futura explicitando onde a empresa quer inovar. Abaixo você encontra as definições de cada dimensão e exemplos nacionais e internacionais de inovadores.

Tipo Definição Exemplos Innoscience
Oferta  Desenvolvimento de novos produtos ou serviços Plástico Verde BraskemViagra
Plataforma  Utilizar a mesma plataforma tecnológica ou componentes para criar novos produtos. Utiliza a modulariedade como estratégia Net Combo
Soluções  Através da combinação de produtos, serviços e informação, cria-se soluções integradas para atender as necessidades dos público Gerdau Corte e DobraXP Investimentos
Clientes  Identificar públicos ou segmentos não atendidos  Tecnisa – prédios para pessoas de terceira idadeCirque du Soleil – circo para adultos
Experiência do Consumidor Repensar a interação da empresa com os públicos. Criar novas experiências e sensações ao público HSM – cursos de gestãoStartbucks – cafés
Captura de Valor  Redefinir como a empresa é remunerada por seus produtos e serviços Google – link patrocinadoPagSeguro Moderninha – venda x aluguel
Processos  Redesenho dos processos para aumentar eficiência Dell ComputersHospital Sírio Libanês
Organização  Mudanças na estrutura de funcionamento da empresa. Pode envolver a alteração do escopo de atuação ou da forma como ela está organizada. Banco SicrediPromon EngenhariaZappos – halocracia
Cadeia de Fornecimento Pensar diferente sobre fornecimento, movimentação e entrega dos produtos ou serviços EmbraerNatura – relacionamento com comunidades
Presença Criar novos canais de distribuição ou locais em que os produtos ou serviços podem ser oferecidos Nike TownChili Beans – quiosques e vending machines de óculos
Relacionamentos Criar uma nova ligação entre a empresa e seus clientes de forma a criar maiores benefícios ou aumentar a eficiência no atendimento Itaú – serviços web e mobileOtis – sistema de monitoramento remoto de elevadores
Marca  Utilizar a marca como alavanca para novas oportunidades em outros setores. Coca-Cola – roupasRed Bull – diversas categorias

Fonte: Innoscience, adaptado de Sahwney et al (2006)

Percebemos que essa visão ampliada de inovação aproxima o tema de profissionais de áreas que anteriormente eram excluídas do processo de inovação. A inovação pode vir do financeiro com uma nova forma de cobrar, ou em forma de uma nova experiência do consumidor desenvolvida pelo pessoal do marketing. Pode ainda ocorrer em uma nova configuração da cadeia de fornecimento proposta pela área de logística e supply chain.

A Apple não é a única referência em inovação mas, nesse momento, consolida-se como a empresa mais inovadora do mundo. Seu perfil combina inovações na oferta, na presença como as lojas conceito que mudaram o canal de venda de computadores e a loja online Itunes que redefiniu a forma de comprar músicas, vídeos e games. Ou ainda a AppStore que vende as aplicações (softwares) que turbinam os aparelhos. A capacidade de capturar valor das inovações (gerar e ficar com dinheiro) está ligada a dificuldade de imitação das mesmas. E isso não ocorre apenas desenvolvendo novos produtos.

Pense no seu negócio. Nossa vivência de consultoria mostra que muitas das inovações que tem transformado setores importantes como educação, saúde, comunicação, varejo não são inovações de produto. Desafiamos você a utilizar o radar da inovação e fazer a classificação de projetos de sua empresa e setor. Estaremos esperando esses casos para discutir com nossa comunidade de inovação.

 

Maximiliano Selistre Carlomagno

Artigo originalmente publicado no Mundo dos Negócios

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Lições do reality show Shark Tank: Negociando com Tubarões

Na minha opinião um dos programas mais legais da televisão por assinatura  se chama Negociando com Tubarões, transmitido pelo canal TLC. Para quem não conhece o formato, basicamente ele traz 5 grandes investidores (chamados de tubarões) que avaliam investir seu dinheiro em negócios que são apresentados pelos empreendedores. Como não poderia ser diferente, o pitch e a demonstração é rápida, seguida de uma interação entre os tubarões e os empreendedores.

O reality show foi criado em 2009, portanto além dos episódios que vão ao ar no canal fechado, há vários outros disponíveis no Youtube. Quem gosta de empreendedorismo sugiro pois pode trazer vários insights de como montar um negócio de sucesso e se portar diante de investidores. Abaixo listei 3 lições que ficam evidentes ao assistir o programa: 

Avaliam produto e pessoas.

Os tubarões normalmente buscam a combinação produto e pessoas quando avaliam o investimento. Na edição de agosto da Revista INC, Daymond John, um dos tubarões, afirmou que o perfil desejado são os resolvedores de problemas, aqueles que tem um objetivo bem definido e trabalham duro para chegar lá, superando todas as dificuldades. Mas não só as pessoas mas também os produtos que a empresa vende. Essa combinação é fundamental.

O episódio que apresenta uma empresa chamada FitDeck, um método de exercícios com cartas. O empreendedor possuía um histórico impressionante, tendo estudado em Yale e Harvard, trabalhado em um banco de investimentos, além de ter sido fuzileiro das tropas especiais da marinha americana.

No programa fazem muitas perguntas sobre o mercado, as funcionalidades, concorrência, vendas, modelo de negócios, etc. Há também um preocupação quanto à propriedade intelectual do produto. Patentes de produto e processo são itens valiosos nessas negociações. Quando eles tem a percepção de que ali existe um negócio durador que pode ser potencializado, propõem um acordo.

O lado financeiro do acordo

Uma pergunta que sempre é feita é o que o empreendedor vai fazer com o dinheiro. Quando a resposta é utilizá-lo com capital de giro para atender a demanda de pedidos há uma boa probabilidade de fisgar os tubarões.

Outro fator bastante avaliado é a relação vendas versus valuation. O múltiplo usado pelo empreendedor é um fator importante no lado financeiro do negócio. Boa parte dos negócios são avaliados entre 2 a 3 vezes das vendas anuais. É natural que os empreendedores cheguem pedindo mais que isso mas raramente sairão com um acordo se propuserem algo com 15 ou 20 vezes. 

Parceiros estratégicos

Naturalmente os tubarões avaliam se podem realmente fazer a diferença no negócio em função da sua experiência, conhecimento do mercado, contatos e dos negócios que eles já são sócios.

No episódio da empresa de produtos de limpeza naturais chamada Better Life, os dois empreendedores não estavam em busca de dinheiro já que empresa estava indo bem com o caixa disponível. Eles estavam em busca do apoio dos investidores com novas ideias, sinergia com negócios já estabelecidos e novos contatos para ampliar as vendas. Dos programas que já assisti, foi um dos negócios mais disputados entre os investidores. Os empreendedores receberam propostas de todos e acabaram optando pelo tubarão que já possuía negócios no ramo e uma rede de vendedoras que poderiam servir de canal para o produto.

Felipe Ost Scherer

Artigo originalmente publicado no Portal StartSe InfoMoney

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Como aumentar a eficiência das atividades inovadoras?

Inovação, Inovação e mais inovação. Você não pára de ouvir essa recomendação para sua empresa. Parte da comunidade empresarial já percebeu os efeitos positivos que a inovação pode gerar para o resultado e valor das organizações. Os consumidores valorizam a inovação. A bolsa de valores (no caso de empresas de capital aberto) recompensa as empresas inovadoras. Os melhores querem estar nas empresas inovadoras. Para aqueles que realmente querem investir na inovação surge o grande desafio: como abordá‐la de forma contínua, estruturada e intencional?

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